Engenharia genética: 10 casos insanos

Engenharia genética e modificação genética são termos para o processo de manipulação dos genes em um organismo, geralmente fora de seu processo reprodutivo normal. Um desses exemplos são os gatos que brilham no escuro – gatos geneticamente modificados com pigmentação fluorescente em sua pele, que faz com que brilhem sob luz UV.

Este é apenas um caso, basicamente inofensivo, desta tecnologia. Para melhor ou para pior, parece que a engenharia genética está aqui para ficar, o que levanta questões importantes, como quando vamos saber se fomos longe demais? Qual é a linha entre o progresso científico e a mudança irreversível do DNA de uma forma de vida?

Veja 10 casos insanos de engenharia genética:

10. Cabras aranhas

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A seda da aranha tem milhões de usos, e nós encontramos mais a cada dia. Devido à sua incrível força em relação ao seu tamanho, tem sido pesquisada para uso em coletes à prova de balas, tendões artificiais, ligaduras, chips de computador e até mesmo cabos de fibra óptica. Mas a colheita de seda suficiente para tais usos requer dezenas de milhares de aranhas e muito tempo de espera, para não mencionar o fato de que elas tendem a matar umas as outras se colocadas juntas, de modo que é muito difícil cultivá-las como formigas ou abelhas.

Sendo assim, os pesquisadores estão se voltando para as cabras, o único animal do mundo que poderia melhorar por ter mais DNA de aranha. Randy Lewis, da Universidade de Wyoming (EUA), isolou os genes que produzem o tipo mais forte de seda, usada quando as aranhas ancoram suas teias (a maioria das aranhas produzem seis tipos diferentes de seda), e os misturou com os genes usados por cabras para a produção de leite. Três dos sete cabritinhos da cabra original do experimento mantiveram o gene de produção de seda. Tudo o que resta fazer agora é tirar leite das cabras e filtrar a seda da aranha.

9. Rato que canta

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Na maioria das vezes, os cientistas fazem experimentos com um propósito. Não é impossível, porém, que eles joguem um monte de genes em um rato e esperem para ver o que acontece. Foi assim que surgiu o rato que canta como um pássaro, pelo menos. Ele é parte do Evolved Mouse Project (“Projeto Rato Evoluído”, em português), um projeto de pesquisa japonês com uma abordagem bruta em engenharia genética: os cientistas modificam ratos, os deixam livres para cruzar e anotam os resultados.

Ao verificar uma nova ninhada de ratos uma manhã, eles descobriram que um dos bebês estava “cantando como um pássaro”. Animados, se concentraram nele e agora tem mais de 100 ratos que podem cantar. Mais: os pesquisadores descobriram que, quando ratos cresciam perto de outros que podiam “cantar”, começavam a usar diferentes sons e tons, como uma espécie de dialeto que se espalha pela população humana.

8. Super salmão

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Este exemplo vai aparecer, provavelmente, em supermercados dos EUA em breve: um salmão do Atlântico geneticamente modificado, projetado para crescer duas vezes mais do que o salmão do Atlântico comum, e duas vezes mais rápido também. Criado pela AquaBounty e apelidado de “salmão AquaAdvantage”, ele tem duas alterações genéticas específicas: a primeira é um gene do salmão-rei, que não é usado para alimentação tão amplamente quanto o salmão do Atlântico, mas que cresce muito mais rápido em uma idade jovem; e a segunda é um gene de peixe-carneiro europeu, um peixe que cresce continuamente durante todo o ano, enquanto o salmão normalmente cresce apenas durante o verão. O resultado é um super salmão, o primeiro animal geneticamente modificado aprovado para consumo humano (a Administração de Drogas e Alimentos dos EUA o aprovou em dezembro de 2012).

7. Bananas virais

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Em 2007, uma equipe de pesquisadores da Índia criou uma cepa de bananas que inocula pessoas contra a hepatite B. A equipe também testou com sucesso cenouras, alface, batatas e tabaco alterados para levar a vacina, mas chegou a conclusão de que as bananas são o sistema de transporte mais confiável.

Para resumir a forma de trabalho das vacinas, uma versão enfraquecida do vírus ou germe é injetada na pessoa. Não é forte o suficiente para deixá-la doente, mas basta para iniciar a produção de anticorpos na pessoa, protegendo-a caso o vírus real tente entrar no seu organismo.

O problema é que há muitas maneiras com que as vacinas podem dar errado, de reações alérgicas a simplesmente não funcionar. Além disso, é recomendável obter uma vacina contra a gripe, por exemplo, todos os anos, pois muitos vírus se adaptam em resposta à vacinação, o que significa que novas estirpes de bananas vacinadas teriam de ser desenvolvidas continuamente. Por fim, há um problema moral: caso as pessoas não queiram ser vacinadas, essa é uma maneira fácil de “enganá-las” a receberem a proteção, principalmente porque alimentos transgênicos não são obrigados a serem rotulados.

6. Porcos amigos do meio ambiente

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O Enviropig é um porco geneticamente modificado para absorver ácido fítico, o que por sua vez reduz a quantidade de resíduos de fósforo produzidos pelos próprios animais. O objetivo é reduzir a poluição de fósforo que vem se espalhando através de dejetos suínos no solo. O fósforo em excesso no estrume do porco normal acumula-se no solo e se infiltra em fontes de água nas proximidades, o que é um problema. Conforme o fósforo extra entra na água, algas crescem a uma taxa maior, tomando todo o oxigênio do ambiente e, basicamente, sufocando todos os peixes. Os porcos modificados não produzem tanto fósforo. O projeto funcionou por 10 gerações de Enviropigs, mas ficou sem financiamento em 2012, quando foi abortado.

5. Ovos remédios

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Um dia, poderemos ser capazes de curar o câncer comendo mais ovos. Mas não qualquer ovo: ovos de galinhas que foram modificadas com genes humanos. A pesquisadora britânica Helen Sang desenvolveu galinhas infundidas com DNA humano que contém proteínas que podem combater o câncer de pele. Quando elas põem ovos, metade da proteína normal que faz as claras na verdade contém proteínas de drogas usadas contra o câncer. Estes fármacos podem, em seguida, serem isolados e administrados a pacientes. A ideia é que a fabricação de medicamentos desta forma é mais barata e mais eficaz, sem a utilização de dispendiosos biorreatores, que são o padrão da indústria hoje.

Existem muitos benefícios em potencial para este sistema, mas algumas pessoas levantaram a questão de que as galinhas usadas para produzir as drogas poderiam ser reclassificadas como “equipamento médico” em vez de “animais”, o que permitiria que criadores burlassem as leis de direitos dos animais.

4. Leite materno de vaca

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Como se galinhas humanizadas não fosse suficientemente estranho, cientistas da China já colocaram genes humanos em mais de 200 vacas em uma tentativa de fazê-las produzir leite materno. E funcionou. De acordo com a Ning Li, que está no comando da pesquisa, todas as 200 vacas já estão produzindo leite idêntico ao leite produzido por uma mãe humana.

O método envolve a clonagem de genes humanos e a mistura deles ao DNA de um embrião de vaca. O embrião é então implantado numa fêmea vaca. O plano é desenvolver uma alternativa geneticamente modificada para fórmulas de bebê que podem ser dadas a crianças, embora muitos estejam, compreensivelmente, preocupados com a segurança de dar leite geneticamente modificado para bebês.

3. Repolho venenoso

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Androctonus australis é um dos escorpiões mais perigosos do mundo. Em peso, seu veneno é tão tóxico quanto o de uma mamba negra, e pode causar danos aos nossos tecidos bem como hemorragia, para não mencionar morte. O repolho, por outro lado, é um vegetal que faz parte de sopas e chucrutes.

Em 2002, pesquisadores da Faculdade de Ciências da Vida, em Pequim (China), combinaram os dois e declararam o resultado seguro para o consumo humano. Especificamente, eles isolaram uma toxina do veneno do escorpião e modificaram o genoma do repolho, de modo que a produzisse. Por que eles querem desenvolver um repolho venenoso? Supostamente, a toxina que eles usaram, AAIT, só é eficaz contra insetos. Em outras palavras, o repolho já possui seu próprio pesticida, e caso uma lagarta tente comê-lo, por exemplo, vai imediatamente paralisar e ter espasmos tão fortes que morrerá das convulsões.

O que é preocupante é que um organismo geneticamente modificado pode se alterar a cada geração. Se o repolho já possui um veneno altamente tóxico, quanto tempo levaria para seus genes se transformassem em algo que é realmente tóxico para os seres humanos?

2. Órgãos humanos em porcos

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Várias equipes de cientistas independentes começaram a cruzar porcos com órgãos adequados para transplante em humanos. Xenotransplante, o transplante de órgãos entre espécies, tem sido um problema para em transplantes entre porcos e humanos por causa de uma enzima específica que os porcos produzem e os humanos rejeitam.

Randall Prather, um pesquisador da Universidade de Missouri (EUA), clonou quatro leitões que já não têm o gene que produz a enzima. Uma empresa escocesa – a mesma responsável pela ovelha Dolly – também já foi capaz de clonar cinco porcos que não têm o mesmo gene. É muito possível que, no futuro próximo, porcos transgênicos como estes sejam cultivados como fábricas de órgãos. Outra possibilidade é que órgãos humanos reais sejam cultivados dentro de porcos. A pesquisa nessa área ainda é especulativa, embora um pâncreas de rato já tenha sido cultivado dentro de um camundongo.

1. Super soldados

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DARPA, a agência de defesa dos EUA, demonstra interesse no genoma humano há anos – e, como você poderia esperar da empresa que criou 99% dos robôs mortais do mundo, seu interesse não é puramente para fins educacionais.

Nos EUA, é proibido tentar criar humanos híbridos com outros animais, mas a agência parece estar experimentando várias formas de engendrar um “super soldado” com suas pesquisas sobre o genoma humano. Um projeto de 2013, por exemplo, deve usar 44,5 milhões de dólares (cerca de R$ 86,51 mi) para desenvolver “sistemas biológicos que cruzam múltiplas escalas de arquitetura e função biológica, a partir do nível molecular e genético”. O objetivo é aumentar a capacidade do soldado em uma zona de guerra.

Outro projeto é ainda mais descaradamente aterrorizante: o programa Human Assisted Neural Devices estabelece uma meta para “determinar se as redes de neurônios podem ser diferencialmente moduladas através de estimulação neural optogenética em modelos animais”. Optogenética é um ramo obscuro da neurociência usado para manipular a atividade neuronal e controlar o comportamento dos animais. E o orçamento passa a especificar que eles esperam ter uma demonstração funcional da tecnologia em um “primata não humano” ainda este ano, o que indica que a pesquisa está indo muito bem. Salve-se quem puder…[Listverse]

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